O projeto de ampliação da Linha 1 do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas precisou ser ajustado após uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A alteração envolve a futura estação que será construída na região do Campo Grande, no Centro de Salvador.
O órgão federal responsável pela preservação do patrimônio histórico avaliou que a proposta inicial poderia impactar diretamente áreas tombadas próximas ao trajeto da obra. Entre os pontos sensíveis analisados estão o Teatro Castro Alves e o Forte de São Pedro, localizados nas proximidades do futuro empreendimento.
No desenho original, a estação seria construída em frente ao Teatro Castro Alves, dentro da área considerada sensível para preservação do patrimônio cultural. O Iphan entendeu que a intervenção poderia comprometer a visibilidade do equipamento histórico, o que contraria regras previstas no Decreto-Lei nº 25/1937.
Diante dessa avaliação, a Companhia de Transportes da Bahia (CTB) apresentou uma nova proposta, deslocando a estação para outro ponto do Largo do Campo Grande. Após nova análise técnica, o Iphan concedeu aval ao projeto atualizado na última quinta-feira (5).
Mudanças também atingem estruturas subterrâneas
Além da alteração no local da estação, o projeto passou por ajustes em outras estruturas previstas para o sistema metroviário. Um dos exemplos é o reposicionamento de um poço de ventilação e saída de emergência, que inicialmente seria construído na Avenida Araújo Pinho, no bairro do Canela, e agora deverá ser instalado na Avenida Santa Rita, no Centro.
Outra estrutura prevista para a área do antigo estacionamento São Raimundo foi mantida no planejamento da obra.
Monitoramento de impactos
Nos estudos analisados, técnicos do Iphan indicaram que os impactos causados pela construção poderão ser controlados por meio de acompanhamento arqueológico durante as escavações e ações de educação patrimonial.
Também foi recomendada a realização de avaliações estruturais mais detalhadas no Forte de São Pedro, devido à proximidade das obras subterrâneas. Testes de vibração e ruído já realizados indicam que os níveis estão dentro dos parâmetros técnicos estabelecidos por normas brasileiras, mas o órgão orienta monitoramento permanente durante a construção e operação do metrô.
Novo trecho e investimento
O trecho em questão faz parte do chamado Tramo IV, que vai ligar a Estação da Lapa ao Campo Grande por meio de um túnel de cerca de 1,06 km.
Segundo a CTB, o projeto prevê uma estação com aproximadamente 13 mil metros quadrados, com áreas comerciais, estacionamento e centro de controle operacional. O plano também inclui intervenções de mobilidade no entorno, como passarela no Vale do Canela, elevador e plano inclinado.
O consórcio responsável pelas obras reúne as empresas Áyla Construtora, OECI, Metrô Engenharia e MPE Engenharia. O contrato tem valor estimado em R$ 1,1 bilhão e prazo de execução de cerca de 40 meses, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2029.
Antes mesmo da aprovação final do Iphan, o Governo da Bahia já havia iniciado medidas para viabilizar o empreendimento. Em dezembro de 2025, decretos publicados no Diário Oficial autorizaram desapropriações que somam cerca de 6 mil metros quadrados na região do Campo Grande e na Avenida Santa Rita.



