A Lua Cheia registrada no dia 3 de janeiro de 2026 não pode ser considerada uma superlua, apesar da proximidade com o perigeu. A explicação foi divulgada pela astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON/MCTI), após análises técnicas sobre o fenômeno astronômico que marcou o início do ano.
Segundo a especialista, os termos “superlua” e “microlua” são usados para luas cheias ou novas que ocorrem próximas, respectivamente, do perigeu — ponto da órbita lunar mais próximo da Terra — ou do apogeu, o mais distante. No entanto, essas expressões não são reconhecidas oficialmente pela União Astronômica Internacional (IAU) e não possuem definição científica padronizada.
A Lua Cheia de 3 de janeiro ocorreu às 7h02 (horário de Brasília), quando o satélite estava a 362.312 quilômetros da Terra. De acordo com o critério adotado pelo Observatório Nacional, que considera superlua apenas quando a distância é igual ou inferior a 360 mil quilômetros, o fenômeno não se enquadra nessa classificação.
Outro critério utilizado por alguns astrônomos leva em conta a diferença de até 12 horas entre o instante da Lua Cheia e o perigeu. Nesse caso, o perigeu aconteceu no dia 1º de janeiro, às 18h43, afastando ainda mais a possibilidade de classificação como superlua.
Apesar disso, há uma terceira metodologia, mais ampla e sem base científica oficial, que considera superlua quando a Lua está a até 90% da distância do perigeu. Por esse parâmetro, a Lua Cheia de janeiro estaria a 97,5% dessa distância, o que explicaria por que algumas fontes a classificam como superlua.
De acordo com o Observatório Nacional, a próxima superlua de 2026 reconhecida por critérios mais rigorosos ocorrerá em 23 de dezembro, quando a Lua Cheia estará a apenas 356.740 quilômetros da Terra, coincidindo com o perigeu em um intervalo de poucas horas.
O órgão reforça que diferenças nos critérios explicam a divergência de informações e orienta o público a buscar fontes científicas confiáveis ao acompanhar fenômenos astronômicos.


