A família da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que morreu após cair no Monte Rinjani, na Indonésia, criticou a forma como foram comunicadas sobre os detalhes da autópsia do corpo da jovem. Segundo os parentes, as informações só chegaram a eles após serem divulgadas à imprensa local na manhã desta sexta-feira (28).
Em entrevista a equipe de reportagem do portal O Globo, o médico legista Ida Bagus Alit, responsável pelo exame no Hospital Bali Mandara, afirmou que Juliana morreu cerca de 20 minutos após o trauma que causou sua morte, descartando a hipótese de que tenha agonizado por horas. No entanto, ele não especificou o horário ou a data exata da morte, o que gerou contradições com relatos de testemunhas e vídeos de turistas que registraram Juliana viva horas após a primeira queda.
“Tudo o que eu sei, vi pela mídia. Em momento algum houve compaixão ou respeito suficiente para nos reunir e informar primeiro”, disse Mariana Marins, irmã da jovem, ao jornal O Globo. “O legista quis seus 15 minutos de fama, mais um absurdo no meio de toda essa história.”
Manoel Marins, pai de Juliana, está em Bali, onde aguarda informações oficiais. Segundo ele, nenhum contato foi feito pelas autoridades antes da divulgação pública dos resultados da autópsia.
A família questiona a cronologia da morte apresentada pelo legista. A estimativa foi de que Juliana tenha morrido entre 12 e 24 horas antes das 22h05, mas sem esclarecimento sobre o dia exato. Juliana caiu na manhã de sábado (21), e seu corpo só foi resgatado na quarta-feira seguinte (25).
“Se ele disser que a morte foi 12 horas após a primeira queda, é mentira. Temos registros que provam que ela estava viva muito tempo depois”, afirmou Mariana ao jornal Globo.
Vídeos entregues por turistas à família mostram Juliana com vida ao menos três horas após a queda inicial. Ela chegou a pedir socorro e foi localizada por um drone usado por um grupo de trilheiros.
Durante coletiva à imprensa, o legista afirmou que a morte foi causada por trauma contuso, com múltiplas fraturas, lesões internas e hemorragia intensa. Os ferimentos seriam compatíveis com escoriações por atrito, o que indicaria que o corpo foi arrastado ou sofreu impactos contra superfícies duras.
“Não encontramos sinais de que a vítima tenha agonizado por muito tempo. Estimamos que a morte ocorreu cerca de 20 minutos após o trauma”, disse o legista em entrevista a Globo, sem especificar qual das quedas teria sido fatal ou o ponto exato do acidente.
A família ainda aguarda acesso completo ao laudo, bem como a uma possível reunião com as autoridades locais. Uma homenagem a Juliana já foi anunciada: ela dará nome a um mirante e a uma trilha na Praia do Sossego, em Niterói (RJ), onde morava.


