Os professores da rede municipal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, estão em greve há pelo menos três dias. A paralisação, que vem ganhando força com a adesão de mais escolas, tem como principal pauta a reivindicação de reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
Segundo os educadores, o impasse com a gestão municipal e a falta de avanços nas negociações motivaram a mobilização.
Em nota, a Prefeitura de Lauro de Freitas afirmou que mantém diálogo com os profissionais da educação e reiterou seu compromisso com a valorização da categoria e a qualidade do ensino público. A administração destacou que, atualmente, professores com nível superior e carga horária de 40 horas semanais recebem remuneração de R$ 6.962,37 — valor 43% acima do piso nacional, fixado em R$ 4.867,77.
A prefeitura também informou que profissionais com 15 anos de carreira podem alcançar salários entre R$ 14 mil e R$ 30 mil mensais, valor que, segundo o governo municipal, se equipara ao de professores PhD de universidades federais.
No entanto, a gestão alega enfrentar dificuldades fiscais. Segundo o comunicado, o município ultrapassou o limite legal de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) comprometida com folha de pessoal, atingindo mais de 58%. Ainda segundo a nota, a cidade enfrenta dívidas herdadas da administração anterior, como:
R$ 4,5 milhões mensais em dívidas previdenciárias parceladas;
R$ 6,7 milhões pagos em 2025 referentes a débitos de anos anteriores;
R$ 25 milhões referentes à folha de dezembro de 2024, não pagos nem empenhados;
Mais de R$ 75 milhões em dívidas com fornecedores sem cobertura orçamentária.
Mesmo diante desse cenário, a prefeitura diz que está tentando viabilizar um reajuste de 2% para os servidores da educação.
Outro ponto citado foi a suspensão da gratificação por dedicação exclusiva, que era paga a apenas 13 professores e custava R$ 1,1 milhão ao ano. Segundo a gestão, a medida foi necessária para equilibrar as contas, especialmente após o decreto de calamidade financeira publicado este ano.
Por fim, a prefeitura reforçou o compromisso com a educação pública e disse estar aberta ao diálogo com os profissionais, mas ponderou que qualquer avanço deve respeitar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.


