O pedido de recuperação judicial apresentado pelas Casas Bahia à Justiça trouxe à tona a dimensão da crise financeira enfrentada pela gigante do varejo nacional. A empresa revelou um passivo total que alcança a marca de R$ 17 bilhões, distribuído entre mais de 28 mil credores, incluindo trabalhadores, bancos, fornecedores e partes envolvidas em litígios cíveis.
Caso o plano apresentado seja homologado pelo Judiciário, a proposta prevê um abatimento agressivo nas dívidas que pode chegar a 95% do valor original, além de carências extensas e parcelamentos de longo prazo para quitação dos saldos remanescentes.
A maior fatia do montante devido está concentrada na categoria de créditos quirografários sem garantia real, que responde por cerca de R$ 16,4 bilhões do total. Nessa faixa encontram-se grande parte dos fornecedores e investidores, que ocupam a posição mais vulnerável nas negociações e enfrentam o risco de aceitar reduções drásticas e prazos de pagamento que variam de 10 a 20 anos.
Por outro lado, as instituições financeiras possuem um poder de barganha superior por controlarem linhas de crédito essenciais para a operação continuada da rede, além de contarem com garantias específicas em parte dos contratos.


