Seis integrantes de uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas foram condenados pela Justiça Federal a penas que chegam a 20 anos de prisão. O grupo foi alvo da Operação Descontaminação, conduzida pela Polícia Federal para combater o envio de entorpecentes do Porto de Salvador para países da Europa.
A ação penal teve como base denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal à 2ª Vara Federal da Bahia. Segundo as investigações, a quadrilha utilizava uma sofisticada estrutura logística para esconder drogas em cargas destinadas ao mercado internacional.
De acordo com o MPF, os criminosos empregavam o método conhecido como “rip-on/rip-off”, prática utilizada por organizações internacionais para inserir drogas em contêineres de empresas exportadoras sem o conhecimento dos proprietários da carga.
O objetivo era utilizar o terminal portuário da capital baiana para enviar cocaína a países como Holanda, Bélgica e Espanha. Para isso, o grupo contava com divisão de funções e apoio de pessoas com acesso ao porto.
As investigações apontaram que integrantes da organização obtinham informações privilegiadas sobre embarques e movimentação de contêineres. Funcionários ligados ao terminal identificavam cargas posicionadas em áreas com menor cobertura de câmeras de segurança, facilitando a ação criminosa.
Para acessar o complexo portuário, os suspeitos utilizavam veículos clonados caracterizados com logomarcas de empresas prestadoras de serviço. Além disso, segundo o MPF, vigilantes eram corrompidos para evitar inspeções e permitir a entrada dos envolvidos.
Outro recurso utilizado pelo grupo era a cooptação de técnicos de refrigeração, responsáveis por provocar falhas em equipamentos dos contêineres. A manobra gerava chamados falsos de manutenção, justificando a permanência dos criminosos em áreas restritas do terminal.
Após esconder a droga nas cargas, os integrantes substituíam os lacres originais dos contêineres por versões falsificadas produzidas a laser. Os dispositivos reproduziam a mesma numeração dos lacres verdadeiros, dificultando a identificação da fraude até a chegada da carga ao destino.
As penas aplicadas variaram conforme a participação de cada condenado e a quantidade de crimes atribuídos a eles. Os nomes dos réus não foram divulgados pelas autoridades.


