Uma investigação do Ministério Público da Bahia aponta para um cenário de supostas regalias dentro do Conjunto Penal de Eunápolis, no sul do estado, envolvendo integrantes de facção criminosa e a atuação de um ex-deputado federal. Entre os episódios relatados, está a entrada de um caixão na unidade prisional para a realização de um velório, sem qualquer registro oficial — fato considerado incomum no sistema carcerário.
As apurações ganharam força após a delação da ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, que foi indicada ao cargo pelo ex-parlamentar Uldurico Alencar Pinto. Ela é apontada como peça central na autorização de práticas fora dos protocolos da unidade.
De acordo com o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas, líderes do chamado Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) teriam acesso a uma rotina diferenciada, com permissões como festas internas, circulação livre entre pavilhões e visitas fora das normas estabelecidas.
Um dos pontos mais sensíveis do caso envolve o velório realizado dentro do presídio. Segundo depoimentos, a autorização partiu diretamente da direção da unidade, atendendo a um pedido relacionado a um detento ligado à liderança da facção. O corpo teria entrado no local sem passar por qualquer controle formal.
Além disso, relatos indicam a liberação de itens não permitidos, como eletrodomésticos e caixas de som, e até a realização de visitas íntimas fora dos espaços autorizados. Funcionários também descreveram um ambiente com falhas graves de controle, incluindo presos com acesso às chaves das próprias celas.
Outro trecho da investigação menciona a presença frequente do ex-deputado na unidade prisional. Testemunhas afirmam que ele teria acessado o interior do presídio sem passar por procedimentos padrão de segurança, participando de encontros reservados com lideranças criminosas.
Há ainda registros de eventos realizados dentro do presídio, como uma celebração no Dia da Consciência Negra, com música, comida típica e circulação de detentos fora das celas. Em alguns relatos, presos teriam sido vistos portando objetos cortantes durante essas atividades.
Meses após esses episódios, uma fuga de 16 internos foi registrada na unidade, o que resultou no afastamento da então diretora.
O caso segue sob investigação, e a defesa do ex-deputado não havia se manifestado até a última atualização.


