Quem aproveitou a noite deste sábado, 18, para prestigiar o show da cantora Ana Carolina, uma das maiores vozes da Música Popular Brasileira (MPB), na Concha Acústica, em Salvador, vivenciou e presenciou inúmeras cenas, sensações e sentimentos, antes mesmo da cantora subir ao palco.
Por falar em palco, a cantora, que voltou à Salvador depois de dois anos, deixou o público dividido com seu atraso de 40 minutos para iniciar seu show da Turnê 25 Anas. Entre gritos, apelos, vaias e palmas, o público – que claramente estava em êxtase para curtir a apresentação – deixou o fanatismo e a admiração de lado e vaiou por alguns segundos para mostrar incômodo com a demora para o início do show.

Mas antes das vaias outros acontecimentos ocorreram. Para começar, já na abertura dos portões, por volta das 17h, era perceptível que a Concha Acústica ficaria “pequena” para comportar toda aquela quantidade de fãs e admiradores. Quando o relógio marcava 18h50, as arquibancadas já estavam superlotas e a Concha sem espaço aparente. Não à toa que, em determinado momento, por volta das 19h22 – àquela altura com 22 minutos de atraso – três seguranças precisaram fazer uma espécie de interdição temporária – usando as mãos – na parte direita próximo ao palco para organizar o acesso do público às proximidades do coro (veja no vídeo abaixo). Durante essa interdição, algumas pessoas foram barradas – por alguns minutos – e ficaram impossibilitadas de acessarem a área frontal do palco.
Motivo? Muita gente para prestigiar a cantora natural da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. A Concha realmente ficou “pequena”, mas parece que ela é como “coração de mãe” – como diz o ditado popular – e sempre cabe mais um. E coube: nas arquibancadas, acima das arquibancadas, no camarote e em outros espaços que não integram as arquibancadas.
A verdade é que, para quem demorou anos para assistir de pertinho Ana Carolina, estava pouco se importando com a superlotação da Concha, afinal, quem costuma frequentar eventos a Concha já sabe que, a depender da atração, será assim: uma junção de aperto com aconchego (característica típica da Concha).

No fundo, o que o público realmente queria era viver aquele momento e curar a carência por shows de cantores da MPB, na capital baiana. Cantores que, assim como Ana Carolina, foram responsáveis por marcar gerações, trilhas sonoras de novelas, de namoros, casamentos e, inclusive, de separações. Por falar em trilhas sonoras, na sua Turnê 25 Anas, Ana Carolina reuniu uma série de canções da sua carreira, mas em Salvador, particularmente, foram as músicas ‘das antigas’ que levaram o público ao delírio e a cantar incansavelmente.
Em seu show na capital baiana, a segunda música da lista foi ‘Garganta’, considerado o primeiro grande sucesso da cantora. Foi lançada em 1999, mas ecoa com muita força até os dias de hoje, mostrando a potência que foi e continuará sendo. Por sinal, Garganta também foi trilha na novela Andando Nas Nuvens, que estreou também em 1999.
O público sentiu falta de outras canções dos anos 2000 que ficaram de fora da lista da turnê como ‘Vai’, ‘Problemas’, ‘Carvão’, ‘Ruas de Outono’, ‘Uma Louca Tempestade’ e outras. Por outro lado, teve ‘Quem de Nós Dois’, outro grande sucesso da cantora mineira que também esteve em novela (Um Anjo Caiu do Céu), em 2001, e segue arrepiando até os tempos atuais. ‘Confesso’, ‘Rosas’, ‘Encostar na Tua’, ‘A Canção Tocou na Hora Errada’, ‘Nada Pra mim’, ‘Mais que Isso’ e outras músicas dos anos 2000 integraram o repertório da apresentação em Salvador.
É a Bahia! Não é novidade para ninguém que a Bahia tem uma energia muito singular e particular. Ontem, durante seu show na primeira capital do Brasil, Ana Carolina – que por sinal não tem um perfil de muita interação com o público – falou, ainda que em poucas palavras (32 segundos), sobre essa energia do povo baiano e, inclusive, elogiou o formato da estrutura da Concha. “Isso aqui é maravilhoso. Bonito de se ver. É um dos poucos lugares que a gente consegue ver cada um de vocês na fileira. É um negócio que eu não sei não”, disse a cantora ao fazer referência da proximidade do público com o palco.
Eterna! O show de Ana também teve homenagem à cantora Preta Gil, que tinha uma relação muito próxima com Salvador, com a Bahia, e morreu em julho de 2025, após lutar contra um câncer durante três anos. Ana Carolina cantou ‘Sinais de Fogo’, música lançada no álbum de estreia de Preta, em 2003, e que gravou com a filha de Gilberto Gil. A música fez grande sucesso, porém, com a morte de preta, ela voltou a ecoar da ‘garganta’ de fãs e admiradores das duas cantores.
‘E subo bem alto pra gritar que é amor’. Para encerrar o show, Ana escolheu a música ‘Elevador’, lançada no ano de 2003, no àlbum Estampado. Por fim, apesar do atraso de 40 minutos, da superlotação da Concha, da pouca interação do cantora com o público, quem foi ao show saiu satisfeito com o que ouviu e assistiu porque se tem algo que Ana Carolina tem, com certeza é voz. Aquela voz meio rouca, inconfundível e potente. Quem assistiu ao show teve a impressão de que estava ouvindo um CD, assim como nos anos 2000, porque o Ao Vivo da cantora Ana Carolina foi impecável. Poderia ter fechado a apresentação com chave de ouro se sua saída do palco, após a música Elevador, não tivesse sido meio brusca. O público sentiu falta de uma despedida mais calorosa e atenciosa, porém, valeu, Ana Carolina.


