Mesmo com a passagem de ônibus fixada em R$ 5,90, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), defendeu que a capital baiana possui a tarifa de transporte público mais barata do Brasil quando considerada a integração entre os modais. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta quinta-feira (29).
Segundo o gestor, o diferencial de Salvador está no modelo de integração tarifária, que permite ao usuário utilizar mais de um modal sem custo adicional. “Quando se leva em conta a integração, em que o cidadão não paga nenhum centavo a mais, Salvador passa a ter a passagem mais barata do Brasil”, afirmou.
Salvador tem uma das tarifas mais caras do país
Apesar do argumento apresentado pelo prefeito, os números mostram que Salvador figura entre as capitais com tarifa mais elevada. Após o reajuste aplicado no início de janeiro, a cidade passou a ter a terceira passagem de ônibus mais cara do Brasil e a mais alta do Nordeste.
O novo valor entrou em vigor no dia 5 de janeiro, com aumento de R$ 0,30, o que representa um reajuste de 5,3% em relação à tarifa anterior, que era de R$ 5,60. Atualmente, Salvador fica atrás apenas de Florianópolis (SC) e Curitiba (PR) no ranking nacional.
Capitais com frotas maiores e maior demanda, como São Paulo e Rio de Janeiro, praticam tarifas inferiores. Na capital paulista, a passagem custa R$ 5,30, já considerando o reajuste previsto para 2026. No Rio, o valor é de R$ 5,00. Nas demais capitais nordestinas, os preços variam entre R$ 4,00 e R$ 5,40.
Prefeitura afirma que há subsídio municipal
Durante a entrevista, Bruno Reis voltou a destacar que a prefeitura subsidia parte do custo do transporte coletivo. De acordo com o prefeito, antes do reajuste, o custo real do sistema era de R$ 6,19 por passageiro, enquanto o usuário pagava R$ 5,60, com um subsídio municipal de R$ 0,59 por passagem.
Ele ressaltou que, sem esse aporte financeiro, o valor da tarifa seria ainda maior para a população.
Crise no transporte público
O prefeito também comentou as dificuldades enfrentadas pelo sistema de transporte público em todo o país. Segundo ele, a arrecadação com tarifas não tem sido suficiente para cobrir os custos operacionais, o que gera déficits constantes.
Entre os principais fatores apontados estão a redução no número de passageiros, a concorrência com novos modais de transporte e mudanças nos hábitos da população. Bruno Reis ainda criticou a forma como a tarifa é dividida entre ônibus e metrô, classificando o modelo como injusto.
O tema, segundo ele, deverá voltar ao centro das discussões com o avanço do debate sobre a integração do sistema ao VLT.


