Condenado pelo assassinato da esposa em 2002, o empresário Sérgio Nahas foi preso no último sábado (17) em Praia do Forte, no município de Mata de São João, no Litoral Norte da Bahia. Foragido havia quase 24 anos, ele foi localizado após ser identificado por câmeras de reconhecimento facial da Secretaria da Segurança Pública do estado, enquanto circulava por um condomínio de alto padrão.
Durante a abordagem policial, foram apreendidos 13 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, cartões de crédito e um veículo da marca Audi. Nahas foi conduzido sob custódia e aguarda transferência para São Paulo, conforme solicitação da Polícia Civil paulista.
O crime ocorreu em setembro de 2002, no bairro de Higienópolis, área nobre da capital paulista. A estilista Fernanda Orfali, então com 28 anos, foi morta com um tiro no peito dentro do apartamento onde vivia com o marido. Segundo a investigação, após uma discussão, Fernanda tentou se esconder no closet, mas Nahas arrombou a porta e efetuou dois disparos — o primeiro, fatal.
Na ocasião, o empresário sustentou a versão de suicídio, descartada pela perícia. Exames não identificaram resíduos de pólvora nas mãos da vítima, reforçando a tese de homicídio. O relacionamento do casal já apresentava histórico de conflitos, com relatos de traição e uso de drogas por parte de Nahas.
Um processo marcado pela lentidão
A tramitação do caso se estendeu por quase duas décadas, marcada por sucessivos adiamentos e manobras jurídicas:
- 2002 a 2018: o júri popular foi remarcado diversas vezes após a apresentação de novos laudos pela defesa às vésperas das sessões;
- 2018: Nahas foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto, mas permaneceu em liberdade enquanto recorria;
- 2025: após análise de recursos no Supremo Tribunal Federal (STF), a pena foi ampliada para oito anos e dois meses, em regime fechado.
Com o trânsito em julgado, a Justiça expediu mandado de prisão e incluiu o nome do empresário na lista da Interpol, voltada à localização de foragidos.
Ironicamente, Nahas foi localizado em Praia do Forte, destino turístico onde havia passado a lua de mel com Fernanda. Hoje com 61 anos, ele teve a identidade confirmada por tecnologia de reconhecimento facial.
Defesa contesta condenação
Em nota, a advogada Adriana Machado e Abreu, responsável pela defesa, afirmou que o caso representa “uma das maiores injustiças do Brasil”. Segundo ela, Nahas já residia na Bahia antes da expedição do mandado e não teria intenção de descumprir determinações judiciais.
Caso emblemático
O assassinato de Fernanda Orfali tornou-se símbolo da morosidade do Judiciário brasileiro. Por mais de 20 anos, recursos e disputas técnicas mantiveram o condenado fora do sistema prisional.
Embora tardia, a prisão reacende o debate sobre violência doméstica, uso de drogas e a dificuldade histórica de responsabilização em crimes contra mulheres sobretudo antes da tipificação do feminicídio na legislação brasileira.
Próximos passos
Sérgio Nahas deverá ser transferido para São Paulo nos próximos dias, onde cumprirá a pena determinada pelo STF. Para a família da vítima, a prisão não encerra a dor, mas representa algum desfecho após anos de espera.
“Não traz felicidade. No máximo, um alívio”, afirmou o irmão de Fernanda em entrevista recente.


