A utilização de gramados sintéticos voltou ao centro do debate no futebol brasileiro após a reunião do Conselho Técnico da Série A, realizada na última quinta-feira (11), no Rio de Janeiro. A CBF afirmou que pretende retomar a discussão entre fevereiro e março do próximo ano, em um novo encontro com os clubes, que também vai abordar o limite de atletas estrangeiros e uma possível mudança no número de rebaixados para a Série B.
A entidade avalia que decisões estruturais precisam ser sustentadas por estudos técnicos mais robustos. No começo de 2025, a CBF já havia encomendado uma análise comparando índices de lesões em gramados naturais e sintéticos — o levantamento, contudo, não encontrou diferença significativa entre os dois tipos de superfície. Agora, a confederação quer incluir no debate fatores como ritmo de jogo e eventuais vantagens competitivas.
A polêmica ganhou força após o Flamengo protocolar, nesta semana, uma proposta para proibir gramados sintéticos no futebol brasileiro. O clube sugere uma fase de transição até 2027 para a Série A e até 2028 para a Série B. A iniciativa, influenciada também pela rivalidade com o Palmeiras — que usa o piso artificial no Allianz Parque desde 2020 —, irritou os times que contam com o modelo em seus estádios.
Athletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras divulgaram nota criticando o movimento rubro-negro. Eles defendem o uso dos sintéticos e afirmam que “gramados artificiais de alta performance superam, em diversos aspectos, os campos naturais em más condições presentes em parte significativa dos estádios do país”.
Apesar disso, a maior parte dos dirigentes da Série A é contrária ao piso. Durante o encontro, os clubes pediram à CBF que suspenda a homologação de novos gramados sintéticos até que um estudo mais amplo seja concluído. Eles também sugeriram ouvir os jogadores, muitos deles publicamente contrários ao modelo. Em fevereiro, nomes como Neymar, Thiago Silva, Gabigol e Philippe Coutinho já haviam se posicionado nas redes sociais.
Caso avance, uma eventual decisão pode incluir veto aos gramados artificiais e um período de adaptação para que os clubes migrem para o piso natural. Até o momento, não há indicação de que a CBF adotará essa medida — mas a pressão por uma definição cresce.
O debate deve ganhar ainda mais intensidade em 2026. Até 30% das partidas da Série A poderão ocorrer em estádios com gramado sintético, cenário que reforça a urgência do tema. A entidade também admite que pretende atacar outro problema estrutural: a má qualidade de muitos gramados naturais no país.
Além da discussão sobre o piso, o Conselho Técnico também tratou de outros dois temas sensíveis: o limite de estrangeiros — que subiu de cinco para nove entre 2023 e 2024 — e a possível redução de rebaixados. Nada deve ser decidido imediatamente, mas todos os assuntos retornarão à pauta no próximo encontro.


