O influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, reagiu à chegada da Polícia Federal (PF) em sua mansão no interior de São Paulo de forma tensa: ele pegou uma espingarda e começou a circular armado pela casa. As imagens, obtidas pela TV Globo, mostram o momento em que o criador de conteúdo abre um armário, retira uma arma calibre 12 e carrega munições enquanto sua esposa grávida, Hillary Yamashiro, e a filha de 4 anos acompanham assustadas a cena.
Nas gravações, Buzeira aparece observando pela janela e alertando a companheira sobre a presença dos agentes. Logo depois, ele pega o celular e se desloca para outro cômodo. Em seguida, retira a espingarda do armário, carrega o armamento e sai do quarto. Poucos minutos depois, volta sem o objeto.
Segundo a PF, os agentes tentaram contato pacífico antes de entrar, mas não foram atendidos. A entrada só ocorreu após o irmão do influenciador liberar a passagem pela sacada. Dentro da residência, foram apreendidas cinco armas — entre elas uma espingarda, três pistolas, um revólver e um rifle.
A corporação informou que Buzeira possui registro de CAC (colecionador, atirador e caçador), mas que não poderia manter o arsenal naquele endereço.
Apreensões bilionárias
Durante a operação, os policiais também recolheram carros de luxo, mais de 30 motocicletas, equipamentos eletrônicos e duas pedras que seriam esmeraldas. Segundo um certificado encontrado no local, o valor estimado do material chega a R$ 1,7 bilhão, embora a perícia ainda vá confirmar a autenticidade. Um dos veículos apreendidos ultrapassa R$ 5 milhões em valor de mercado.
Buzeira se tornou conhecido durante a pandemia por promover rifas online com prêmios milionários. Desde então, acumulou mais de 15 milhões de seguidores e passou a ostentar viagens, festas e carros de alto padrão. Em 2024, publicou imagens em Dubai, mas, conforme a PF, a viagem teria como real objetivo abrir empresas e buscar benefícios fiscais.
Ligação com o tráfico e criptomoedas
Além do influenciador, o contador Rodrigo Morgado, apontado como seu parceiro de negócios, também foi preso. Ele já era investigado por tráfico de drogas. Segundo os investigadores, conversas entre os dois indicam planos para movimentar milhões de reais por meio de apostas e criptomoedas.
Durante a ação, a PF encontrou uma nota fiscal de R$ 50 milhões emitida por uma empresa localizada no Caribe, supostamente referente a serviços de publicidade.
Em nota, a defesa de Buzeira negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Os advogados de Morgado também afirmaram que o contador “sempre agiu dentro da legalidade”. Ambos seguem presos à disposição da Justiça.


