O Sistema Único de Saúde (SUS) completa, nesta sexta-feira (19), 35 anos de existência. Presente na vida de todos os brasileiros, o SUS se consolidou como o maior sistema público, gratuito e universal de saúde do mundo, responsável por 2,8 bilhões de atendimentos anuais e essencial para 213 milhões de pessoas. Os números foram divulgados pelo Governo Federal.
A sua história começou a ser construída em 1986, com a realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília. O encontro reuniu milhares de pessoas em defesa do direito universal à saúde e foi o marco para a criação do sistema. Dois anos depois, em 1988, a Constituição Federal definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantindo as bases legais para o SUS.
A regulamentação veio em 1990, com a promulgação das Leis nº 8.080 e nº 8.142, que organizaram o funcionamento do sistema em todo o país e estabeleceram os princípios da universalidade, integralidade e equidade.
Nos anos seguintes, o SUS viveu importantes avanços. Em 1994, foi criada a Estratégia Saúde da Família (eSF), um modelo inovador da Atenção Primária que levou equipes de saúde para mais perto das comunidades, inclusive em áreas remotas, ribeirinhas e indígenas. Já no início dos anos 2000, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) se consolidou como referência mundial, garantindo vacinas gratuitas e de qualidade para todas as idades.
Em 2010, o Brasil passou a contar com a maior rede pública de transplantes do mundo, oferecendo gratuitamente desde os procedimentos cirúrgicos até a entrega de medicamentos imunossupressores. A capacidade de resposta do SUS também se mostrou essencial em situações de emergência, como na tragédia da Boate Kiss, em 2013, quando equipes atuaram no resgate, transferência de pacientes e apoio psicossocial às famílias.
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, o SUS teve papel decisivo no enfrentamento da crise sanitária. Da testagem em massa à vacinação, passando pelo atendimento hospitalar e acompanhamento na Atenção Primária, milhões de vidas foram salvas graças à estrutura pública de saúde.
Mais recentemente, o sistema demonstrou novamente sua importância em grandes emergências, como na crise humanitária Yanomami, em 2023, quando houve redução significativa de óbitos por malária, doenças respiratórias e desnutrição, e nas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, com a instalação de hospitais de campanha, reforço na vacinação e apoio psicossocial.
Em 2025, o SUS chega aos 35 anos como um patrimônio nacional, símbolo de solidariedade, equidade e cuidado com a vida. Do pré-natal ao transplante de órgãos, do posto de saúde ao hospital de referência, o sistema público reafirma diariamente o compromisso firmado na Constituição: saúde é direito de todos e dever do Estado.


