O tenente-coronel Luís Augusto Normanha de Carvalho, da Polícia Militar da Bahia, foi preso nesta segunda-feira (8) durante uma operação contra grupos de milícia que atuam no oeste do estado. De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o oficial teria recebido pagamentos mensais de R$ 15 mil para proteger atividades ilegais comandadas por um sargento da reserva.
A prisão ocorreu em Santa Maria da Vitória, onde policiais também cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do militar. Com ele, foram encontradas armas de fogo sem registro. Luís Augusto exerce atualmente a função de diretor do Colégio da Polícia Militar em Bom Jesus da Lapa.
Suspeitas e acusações
As investigações conduzidas pelo Gaeco, em parceria com a Polícia Civil, apontam que o tenente-coronel atuava para impedir o avanço de apurações contra a milícia. O grupo, segundo o MP-BA, age há mais de dez anos em Correntina, expulsando comunidades tradicionais de suas terras com uso de violência para favorecer produtores rurais.
O oficial responderá por suspeita de:
- Corrupção passiva;
- Lavagem de dinheiro;
- Associação criminosa.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) informou que o caso segue sob apuração. A Polícia Militar ainda não divulgou nota oficial.
Bens bloqueados e novas denúncias
Na primeira fase da Operação Terra Justa, o sargento identificado como líder da milícia e um comparsa haviam sido presos. Eles, juntamente com mais três pessoas, foram denunciados pelo MP-BA e agora cumprem prisão preventiva.

A denúncia foi aceita pela Vara Criminal de Correntina no último dia 5 de agosto. A Justiça determinou o bloqueio de bens de até R$ 8,4 milhões pertencentes aos acusados. Conforme o MP, parte do dinheiro obtido com as atividades ilícitas era movimentado em contas de terceiros para ocultar sua origem.
As apurações continuam para identificar se há outros militares e civis envolvidos no esquema.


