O governo federal lançou, nesta quinta-feira (4), em Belo Horizonte (MG), o programa Gás do Povo, que vai garantir o acesso gratuito ao botijão de gás de cozinha para famílias de baixa renda em todo o país. Na Bahia, 1.844.658 famílias estão entre as contempladas.
A iniciativa prevê alcançar 15,5 milhões de famílias em todo o Brasil, o equivalente a 50 milhões de pessoas, com expectativa de chegar a 100% do público-alvo até março de 2026.
Justiça social e dignidade
Durante o lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o programa é um passo importante na luta contra a desigualdade social.
“Não é justo que um trabalhador precise gastar 10% do salário mínimo para comprar um botijão de gás. Vamos assumir essa responsabilidade para que os mais pobres tenham acesso ao gás de graça”, afirmou.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o gás de cozinha passa a ser reconhecido como um item essencial. “O programa combate a pobreza energética, garante dignidade às famílias e ainda protege a saúde de milhões de brasileiros que, sem condições, recorrem à lenha ou a materiais perigosos para cozinhar”, disse.
Distribuição por regiões
A região Nordeste concentra o maior número de beneficiados: 7,1 milhões de famílias. Em seguida vêm o Sudeste (4,4 milhões), o Norte (2,1 milhões), o Sul (1,1 milhão) e o Centro-Oeste (889 mil).
Na Bahia, serão quase 2 milhões de lares atendidos, colocando o estado entre os que terão maior cobertura, ao lado de São Paulo (1,87 milhão), Minas Gerais (1,20 milhão) e Pernambuco (1,14 milhão).
Como vai funcionar
O programa substituirá gradualmente o atual Auxílio Gás, que repassa valores em dinheiro. Agora, os beneficiários vão retirar os botijões diretamente nas revendas credenciadas, sem custo.
O acesso será feito por meio de um vale digital, validado eletronicamente no momento da retirada. A gestão será do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
A quantidade de botijões varia conforme o tamanho da família:
- até 3 por ano para famílias com 2 pessoas;
- até 4 para famílias com 3 integrantes;
- até 6 para famílias com 4 ou mais moradores.
Saúde e qualidade de vida
Além do impacto econômico, o programa busca reduzir problemas de saúde causados pelo uso da lenha, ainda comum em cerca de 12,7 milhões de lares brasileiros, segundo o IBGE (2022).
Estudos mostram que a queima de madeira eleva em até 33 vezes os níveis de poluição dentro das casas, aumentando o risco de doenças respiratórias em crianças e mulheres.
Outro ponto é o tempo gasto na coleta de lenha. Em média, famílias precisam dedicar 18 horas semanais a essa atividade, o que prejudica principalmente a frequência escolar de crianças.
Investimentos
Em 2025, o governo prevê distribuir cerca de 65 milhões de botijões, com investimento de R$ 3,57 bilhões ainda este ano e R$ 5,1 bilhões em 2026.


