O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (5/8) que o Governo Federal apresentará, no próximo dia 18 de agosto, uma resposta oficial aos Estados Unidos sobre a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O instrumento, utilizado anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump, questiona práticas brasileiras, como o funcionamento do Pix.
“Sobre a investida da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que questiona o nosso Pix e outras práticas brasileiras absolutamente legítimas, gostaria de informar que o Itamaraty está coordenando a preparação da resposta”, declarou o chanceler durante discurso de abertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), em Brasília.
Vieira destacou o esforço da diplomacia brasileira para manter o diálogo com Washington e conter os efeitos das medidas unilaterais norte-americanas. Segundo ele, a atuação junto ao governo dos EUA evitou prejuízos maiores, com a exclusão de cerca de 700 produtos brasileiros da lista de itens sujeitos à tarifa de 50%.
“O nosso governo, sob orientação do presidente Lula e seguindo as melhores tradições da política externa brasileira, trabalha para soluções negociadas desde março, antes mesmo de serem anunciadas as novas tarifas impostas pelo governo norte-americano”, disse o chanceler.
Entre os setores poupados das tarifas, Vieira citou a indústria aeronáutica, a produção de suco de laranja e o setor de celulose, considerados estratégicos para a economia nacional. “Negociações pragmáticas são a solução mais promissora para o empresariado, os trabalhadores e os consumidores do Brasil”, completou.
Ao reforçar o posicionamento do governo brasileiro, Mauro Vieira afirmou que temas relacionados à democracia, soberania nacional e independência dos Poderes não fazem parte da mesa de negociação com os Estados Unidos.
“Ressaltei, por outro lado, que a integridade das instituições constituídas, a democracia e a soberania brasileira não são negociáveis”, disse, ao relatar conversa com o secretário de Estado norte-americano em 30 de março.
O chanceler finalizou seu discurso convocando as lideranças empresariais e sociais a contribuírem para a solução do impasse comercial aberto por Trump. “Acordos duradouros e bem-sucedidos são impossíveis sem equilíbrio e respeito entre as partes”, afirmou.


