Mensagens extraídas do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendido pela Polícia Federal em maio de 2023, mostram que ele continuou atuando politicamente mesmo após deixar o cargo. O conteúdo revela orientações a aliados, apoio à CPI contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até uma oferta de viagem a Israel.
Entre os arquivos obtidos estão conversas por WhatsApp, áudios, vídeos e documentos. Em um dos diálogos, Bolsonaro aconselha o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) a assinar a proposta de criação de uma CPI contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Eu controlaria. Sempre existe a possibilidade de retaliações”, disse o ex-presidente. Na sequência, Lopes confirma: “Já assinei”.
Outro trecho mostra que Yossi Shelley, ex-embaixador de Israel no Brasil, ofereceu custear uma viagem de Bolsonaro ao país. A conversa ocorreu poucos dias antes da operação da PF que investiga fraude em certificados de vacinação.
Os dados foram extraídos do celular de Bolsonaro em 3 de maio de 2023, em operação anterior à que o obrigou a usar tornozeleira eletrônica, em julho do mesmo ano. A PF segue analisando o material para apurar possíveis crimes.


