A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17), a quinta fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações com uso de emendas parlamentares. Um dos alvos é Marcelo Moreira, ex-presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), nome cotado para assumir um cargo na construtora Odebrecht.
Marcelo é ligado ao grupo político do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) e está em quarentena imposta pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que barrou temporariamente sua nomeação para a empreiteira por risco de conflito de interesses. Ele deve assumir o cargo de diretor de contratos na Odebrecht apenas em dezembro, após o período de restrição.
Durante a operação, a PF realizou buscas em imóveis ligados a Marcelo, incluindo a residência de seu pai, em Salvador. No local, uma arma de fogo foi encontrada, e o pai do ex-dirigente acabou preso em flagrante. Moreira presidiu a Codevasf entre agosto de 2019 e junho de 2025, deixando o cargo em meio a denúncias de assédio e investigações da Polícia Federal. Mesmo fora da estatal, ele continuou recebendo salário de quase R$ 37 mil mensais.
A operação — realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal — cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em seis cidades: Salvador, Campo Formoso, Senhor do Bonfim, Mata de São João, Petrolina (PE) e Brasília (DF). O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou ainda o afastamento de um servidor público e o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas de investigados.
Família Nascimento no centro do escândalo
Embora não tenha sido alvo direto da operação, o deputado Elmar Nascimento é citado nas investigações como figura central do esquema. Estão na mira da PF seu irmão, Elmo Nascimento prefeito de Campo Formoso e alvo de busca e apreensão , o ex-assessor Amaury Nascimento e o primo Francisco Nascimento, ex-vereador flagrado no ano passado jogando dinheiro pela janela durante uma ação da PF.
Campo Formoso é apontada como o epicentro da fraude, com indícios de manipulação de licitações e direcionamento de contratos a empresas de fachada. Segundo a PF, já foram identificados mais de R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos. A construtora Alpha Pavimentações aparece como uma das principais beneficiadas, com contratos milionários firmados com o município.
Apesar das suspeitas, todos os envolvidos negam qualquer irregularidade.


