Um método pioneiro criado por pesquisadores do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vem encurtando drasticamente o tempo de diagnóstico de tumores sólidos pediátricos — de cerca de 20 dias para apenas 24 horas. Desenvolvida no Complexo Hospitalar da UFRJ, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a técnica é considerada revolucionária e já é aplicada em sete países.
A inovação é fruto do trabalho do Núcleo Transdisciplinar de Investigação em Saúde da Criança e do Adolescente, ligado ao IPPMG, que integra ensino, pesquisa e assistência. Com base em citometria de fluxo, o novo método permite que, se a criança for operada pela manhã, o resultado esteja pronto no mesmo dia.
— Isso faz uma diferença monstruosa para quem está em situação crítica — destaca a professora Elaine Sobral da Costa, coordenadora do Núcleo, que reúne pesquisadores da UFRJ e de instituições europeias por meio do consórcio internacional EuroFlow.
Além da nova metodologia, o Núcleo realiza uma ampla gama de exames de alta complexidade para o Sistema Único de Saúde (SUS). Na área de Citogenética, por exemplo, são realizados cariótipos e testes de FISH (hibridização in situ por fluorescência) para detectar alterações cromossômicas em doenças genéticas e cânceres.
Outros exames moleculares, como PCR e gel de agarose, são usados em diagnósticos de condições como genitália ambígua e síndrome do X Frágil.
Após a cirurgia, o patologista seleciona o fragmento mais adequado e o encaminha ao Núcleo em gelo. A equipe, então, dissocia as células tumorais e aplica um painel de anticorpos conforme a suspeita clínica. Em muitos casos, a triagem é feita na madrugada, devido à urgência dos atendimentos.
Além de atender ao IPPMG e ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o Núcleo também presta suporte a outras unidades públicas, como o Hospital da Lagoa, o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) e, eventualmente, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), sempre com prioridade para pacientes do SUS.


