Encerramento de unidades bancárias em Salvador e cidades do interior dificulta acesso a serviços, prejudica aposentados e gera incerteza entre funcionários
Mais de 70 mil clientes do Itaú e do Bradesco na Bahia estão sendo diretamente afetados pelo fechamento de agências bancárias em diversas regiões do estado, incluindo bairros populosos da capital e municípios que contavam com apenas uma unidade disponível. A medida, que integra o processo de reestruturação das duas maiores instituições financeiras privadas do país, compromete o acesso a serviços presenciais, especialmente para aposentados e beneficiários do INSS.
Na capital baiana, o Itaú confirmou a desativação de pelo menos três agências: Cabula, Brotas e Imbuí — todas únicas em seus respectivos bairros. Com a medida, cerca de 72 mil clientes terão que se deslocar para outras localidades para realizar atendimentos presenciais. Desse total, cerca de 8 mil são aposentados e pensionistas. Ainda segundo o Sindicato dos Bancários da Bahia (SBBA), 61 funcionários dessas agências seguem sem direcionamento sobre realocação, embora o banco afirme que não haverá demissões.
O processo de encerramento começou ainda no primeiro semestre deste ano, com o fechamento da unidade de Pernambués. A mais recente baixa foi a agência 2057, no Shopping Brotas Center, encerrada na última quarta-feira (25). Com 17 mil clientes, incluindo 3 mil aposentados, a unidade transferiu seu público para as agências da Pituba e Itaigara. A próxima da lista é a agência 7360, localizada na Rua Silveira Martins, no Cabula, com fechamento previsto para 9 de julho. Ela atende, em média, 25 mil pessoas — entre elas, 3,7 mil beneficiários do INSS.
Já no bairro do Imbuí, a agência 3217, situada na rua Codornas, também será encerrada. Com previsão de fechamento para 16 de julho, a unidade atende cerca de 30 mil pessoas, sendo 2 mil aposentados. Esses clientes deverão ser redirecionados para a agência de Itapuã. Nenhum dos 19 funcionários sabe para onde será transferido.
Interior também sofre com encerramentos
A situação no interior baiano é igualmente crítica. O Bradesco já fechou mais de 20 agências no estado, sendo que cinco municípios ficaram sem qualquer unidade da instituição. De acordo com dados obtidos pelo BNews, outras duas agências ainda devem ser encerradas até o fim do ano, nos municípios de Rio do Pires e Itagimirim.
Em nível nacional, a holding Bradesco eliminou mais de 2 mil postos de trabalho somente em 2024, conforme informou o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região. Apesar disso, a base de clientes da empresa cresceu 3,2 milhões em relação a 2023, chegando a 109,1 milhões de usuários. Ainda segundo o levantamento, 390 agências, 903 postos de atendimento e 92 unidades de negócios foram encerradas nos últimos 12 meses.
Na Bahia, 26 sucursais foram desativadas em cidades como Mucugê, Cairu, Laje e Mar Grande. Outros municípios como Olindina, Palmeiras, Rodelas e Ipacaetá ficaram totalmente desassistidos com o fechamento das únicas agências existentes.
Lista de municípios onde agências do Bradesco foram encerradas:
Antas, Banzaê, Sítio do Quinto, Coronel João Sá, Itaite, São Félix do Coribe, Javi, Ibitiara, Mucugê, Abaíra, Barra do Rocha, Gongogi, Nova Soure, Itapicuru, Botuporã, Valente, Barrocas, Lamarão, Boninal, Cairu, Igrapiúna, Wenceslau Guimarães, Laje, Adustina, Novo Triunfo, Heliópolis e Mar Grande.
Impactos sociais e críticas
Representantes sindicais e funcionários denunciam a falta de planejamento e de sensibilidade das instituições diante das consequências sociais da medida. Para Ana Beatriz Leal, dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia, as decisões revelam uma “falta de responsabilidade social”, tanto com os trabalhadores que perdem seus postos ou são forçados a migrar, quanto com os clientes, especialmente os mais vulneráveis.
Andréia Sabino, funcionária do Itaú e presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), lamenta o fechamento em áreas densamente povoadas. “Nos últimos anos, perdemos unidades importantes como as da Piedade e da Liberdade. Agora, com os encerramentos no Cabula, Brotas e Imbuí, não há sequer uma agência próxima para absorver essa demanda. É um movimento desordenado e preocupante”, avaliou.
Luciana Dória, diretora da Feebbase e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, também criticou duramente a conduta da empresa. “O banco privado mais lucrativo do país ignora o direito básico dos clientes ao atendimento presencial e provoca um apagão no acesso bancário. Essa é uma violação das diretrizes do Banco Central e dos direitos do consumidor”, pontuou.


