O dólar fechou em queda nesta terça-feira (3), com desvalorização de 0,70%, cotado a R$ 5,6352. Já o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,56%, atingindo os 137.546 pontos.
▶️ No cenário doméstico, o mercado esteve atento às discussões sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A equipe econômica do governo enfrenta resistência no Congresso, que pressiona para revogar o aumento do imposto. Para compensar uma eventual reversão, o governo estuda um pacote de medidas no setor de petróleo e gás, que pode gerar até R$ 35 bilhões em receitas até 2026.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista no Palácio do Planalto, que não houve erro da equipe econômica ao propor a elevação do imposto. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, declarou que só irá apresentar oficialmente as novas alternativas após dialogar com as lideranças partidárias no Congresso, o que está previsto para o próximo domingo (8).
▶️ No exterior, a política comercial dos Estados Unidos voltou a influenciar os mercados. A Casa Branca indicou que o presidente Donald Trump assinará ainda nesta terça-feira um decreto para dobrar as tarifas sobre aço e alumínio, cumprindo promessa já feita anteriormente.
Outro fator que afetou o sentimento do mercado foi a revisão para baixo das projeções de crescimento econômico global, divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O corte foi motivado pelas tensões comerciais e pela incerteza causada pela política tarifária dos EUA sob Trump.
Previsões econômicas globais em baixa
Segundo a OCDE, após crescer 3,3% em 2024, a economia mundial deve desacelerar para 2,9% em 2025 e manter esse ritmo em 2026, com os impactos mais fortes sobre Estados Unidos, Canadá e México.
🔎 Analistas apontam que o aumento das tarifas sobre importações pode elevar os preços e os custos produtivos, pressionando a inflação e reduzindo o consumo, o que contribui para o esfriamento da economia global.
No relatório anterior, de março, a OCDE projetava uma expansão de 3,1% em 2025 e de 3% em 2026. “Os riscos aumentaram significativamente e a deterioração das perspectivas econômicas será sentida globalmente, quase sem exceções”, afirmou Álvaro Pereira, economista-chefe da entidade.
De acordo com o relatório, embora a desaceleração seja mais acentuada na América do Norte, países como China e outras economias emergentes também devem sofrer ajustes, mas em menor escala.
Tarifas comerciais e tensão nos mercados
Em mais um episódio da chamada “guerra comercial”, o governo dos EUA anunciou que Trump deverá formalizar nesta terça a decisão de dobrar as tarifas sobre aço e alumínio. A medida, revelada na sexta-feira, reacendeu temores sobre seus efeitos inflacionários e sobre a atividade econômica, tanto nos EUA quanto em escala global.
Na segunda (2), Trump declarou que pretende pressionar os parceiros comerciais para que apresentem propostas “melhores” aos EUA. Embora a suspensão temporária das tarifas, determinada pela Justiça americana, tenha gerado alívio, a situação mudou rapidamente. A Corte de Apelações do Circuito Federal restabeleceu a medida, reforçando a cautela entre investidores.
Crise do IOF movimenta Brasília e o mercado
No Brasil, a turbulência política em torno do aumento do IOF segue no centro das atenções. A medida, anunciada há cerca de duas semanas junto a um bloqueio orçamentário de R$ 31,3 bilhões, visa melhorar o equilíbrio fiscal.
Contudo, a reação negativa do mercado e a resistência do Congresso levaram o governo a recuar parcialmente e buscar alternativas. O Palácio do Planalto se articulou com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negociando um prazo de dez dias para apresentar uma proposta substitutiva.
Entre as opções, destaca-se um pacote no setor de petróleo e gás, que pode gerar receitas expressivas até 2026. Haddad, que já discutiu as possibilidades com Lula, sinalizou que só apresentará as novas medidas aos líderes partidários no domingo (8).


