A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deixou uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, nesta terça-feira (27), após ser alvo de ofensas por parte dos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM). “O que eles esperavam de mim era resignação, concordância, que eu deixasse desqualificarem a agenda ambiental. Me senti agredida, mas não intimidada”, afirmou Marina em entrevista à CNN.
A audiência discutia a criação de quatro unidades de conservação marinhas no Amapá e, ao longo de mais de três horas, gerou embates acalorados sobre temas como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental e a extensão da BR-319.
Marina reforçou que a criação das áreas protegidas não impede pesquisas petrolíferas na região. Durante o debate, a ministra também defendeu a política ambiental do governo, destacando que a queda no desmatamento nos biomas brasileiros contribuiu para a abertura de mais de 300 novos mercados para o agronegócio nacional.
O tom da audiência se elevou após Marina manifestar oposição ao projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental, aprovado recentemente. Ela também defendeu a criação de um novo fundo para remunerar proprietários que preservam florestas.
O clima ficou ainda mais tenso quando o senador Marcos Rogério mandou que Marina “se colocasse no seu lugar”. Em seguida, Plínio Valério afirmou que ela “não merecia respeito”. Marina exigiu um pedido de desculpas, mas, diante da negativa, decidiu se retirar da sessão. “Não posso aceitar ser agredida nem me calar quando me atribuem responsabilidades que não são minhas”, declarou, posteriormente, nas redes sociais, indicando que a audiência está disponível na íntegra no canal do YouTube da TV Senado.
Repercussão
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, manifestou “total solidariedade” a Marina Silva e classificou como “inadmissível” a postura dos senadores. “Foram totalmente ofensivos e desrespeitosos com a ministra, a mulher e a cidadã. Manifestamos repúdio aos agressores e total solidariedade do governo do presidente Lula”, afirmou.
O Ministério das Mulheres também emitiu nota de repúdio, assinada pela ministra Márcia Lopes: “Um completo absurdo o que aconteceu com a ministra Marina Silva na comissão. Foi desrespeitada como mulher e como ministra. É um episódio grave, lamentável e misógino. Toda a minha solidariedade e apoio a ela”.
A primeira-dama, Janja Lula Silva, ressaltou que Marina implantou políticas fundamentais para o combate ao desmatamento e que sua trajetória inspira e orgulha o país. “Jamais se curvará a um bando de misóginos que não têm a decência de encarar uma ministra da sua grandeza”, afirmou.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, também se posicionou: “Como mulher negra, como ministra, como companheira de Esplanada, sinto profundamente cada gesto de desrespeito como se fosse comigo. Seguimos em pé, de mãos dadas, reafirmando que não seremos interrompidas”.


