Uma onça-pintada (Panthera onca) resgatada no Pantanal de Mato Grosso do Sul foi transferida nesta semana para o Instituto Ampara Animal, em São Paulo, onde passará a viver em um recinto adaptado, com foco no bem-estar e na conservação da espécie.
A transferência foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (SEMADESC). O animal foi retirado da natureza devido ao comportamento excessivamente habituado à presença humana, o que representa riscos para a segurança tanto da onça quanto de comunidades próximas.
Antes da chegada ao instituto paulista, o felino ficou temporariamente no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande (MS), onde passou por um processo de recuperação sob gestão do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL). No local, o macho adulto — com idade estimada em 9 anos e marcas de antigas feridas — ganhou 13 quilos e foi submetido a uma série de exames clínicos e laboratoriais.
“Estamos lidando com um animal que perdeu parte de seus instintos naturais de fuga, o que torna inviável sua reintegração ao ambiente selvagem”, explicou o médico-veterinário Jorge Salomão, responsável técnico pelo Ampara Animal. “Durante o transporte ele permaneceu estável e agora já está sob todos os cuidados necessários neste momento delicado.”
Os dados coletados durante todo o processo são considerados valiosos para pesquisas sobre o comportamento e a biologia da espécie. A permanência da onça no Ampara Animal reforça a importância de iniciativas voltadas à conservação e manejo ético de grandes felinos em situações de risco.


