O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Pequim na noite deste sábado (10/5), dando início à sua quarta visita de Estado à China. A agenda tem como objetivo aprofundar relações políticas e econômicas com o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.
Em suas redes sociais, Lula destacou a importância do momento:
“Boa tarde Brasil, boa noite China. Acabo de chegar em Pequim, onde vamos fechar novas parcerias e assinar acordos de cooperação em múltiplas áreas. É mais um grande passo na relação de amizade e proximidade estratégica com a China.”
A visita à China ocorre logo após uma passagem oficial pela Rússia, entre os dias 7 e 10 de maio. Neste domingo, ainda não há compromissos formais, mas os encontros oficiais começam ao longo da semana.
Agenda intensa e diversificada
Durante a estadia, estão previstas assinaturas de atos em áreas como agricultura, comércio, investimentos, infraestrutura, indústria, energia, mineração, ciência e tecnologia, comunicações, turismo, saúde, educação, cultura e desenvolvimento sustentável. De acordo com o Itamaraty, já estão definidos 16 protocolos e anúncios, com outros 32 em fase de negociação.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a China é o principal destino das exportações brasileiras, superando os Estados Unidos e a União Europeia. Atualmente, o Brasil é o sétimo maior fornecedor da economia chinesa.
Fórum China-Celac é destaque da agenda
Um dos pontos centrais da visita será a participação no Fórum China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), espaço criado para estreitar o diálogo político, alinhar estratégias de desenvolvimento e fortalecer a integração entre a China e os países latino-americanos e caribenhos.
Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, estão sendo preparados uma declaração conjunta e um Plano de Ação para o triênio 2025-2027.
“São vários temas de interesse do Brasil, como economia digital, conectividade, gestão de riscos de desastres, comércio, investimento, saúde, segurança alimentar, ciência e tecnologia e transição energética”, afirmou.
Comércio e investimentos crescentes
No primeiro trimestre de 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e China alcançou US$ 38,8 bilhões, com US$ 19,8 bilhões em exportações brasileiras e US$ 19 bilhões em importações. Os principais produtos exportados foram óleo bruto de petróleo, soja e minério de ferro. O Brasil, por sua vez, importou majoritariamente embarcações, equipamentos de telecomunicações, máquinas e componentes eletrônicos.
Relações políticas consolidadas
Além dos laços econômicos, Brasil e China mantêm um diálogo constante em fóruns multilaterais como os Brics, G20, OMC e o grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China). A visita anterior de Lula à China, em abril de 2023, resultou na mais ampla declaração conjunta da história bilateral, com 15 atos governamentais e 32 acordos empresariais.
Também foi firmada uma Declaração Conjunta sobre mudança do clima e criada uma subcomissão específica para o tema dentro da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação).
A China figura entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil, com forte presença nos setores de energia, petróleo, transportes, telecomunicações e indústria.
Em novembro de 2024, Lula e Xi Jinping já haviam se encontrado no Brasil, durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro. Na ocasião, também foram assinados novos acordos bilaterais.


